28 de janeiro de 2009

Constelações


A divisão das estrelas em grupos chamados constelações foi feita em épocas bem antigas, mas apesar disso a distribuição desses agrupamentos celestes, visíveis a olho nu, não sofreu grandes mudanças. Ainda hoje, todas as constelações indicadas no catálogo do astrônomo grego Hiparco, que viveu por volta de 190 a 125 a.C., podem ser identificadas com o mesmo brilho e praticamente na mesma posição. Os antigos astrônomos costumavam dividir as estrelas no firmamento com o propósito principal de facilitar seus estudos, dando-lhes, freqüentemente, nomes de origens religiosas ou mitológica, como Perseus, Andrômeda e Orion, entre outros. Apenas a partir do século 17 é que esses nomes passaram a ter outra fonte de referência nas constelações do hemisfério sul (Compasso, Telescópio, etc.).
Ao batizar uma constelação os astrólogos se baseavam na figura sugerida pelos contornos da mesma, usando, portanto, muita imaginação para “enxergar” determinados objetos, pois nem sempre o nome dado correspondia exatamente ao desenho formado pelo conjunto de estrelas (ate hoje, apenas Escorpião - na ilustração- é considerada uma designação inteiramente feliz). De qualquer modo, mesmo imprecisas, as delimitações precisavam ser fixadas, e esse trabalho foi feito na assembléia da União Astronômica Internacional, realizada em Leyden, Alemanha, em 1928. Mas das 88 constelações então delimitadas, mais da metade já constava do catálogo de Ptolomeu (século 2), o famoso Almagesto, difundido pelos árabes.
As estrelas mais brilhantes em cada constelação recebem um nome, geralmente de origem árabe, e são classificadas por ordem de brilho, com letras do alfabeto grego seguidas do nome da constelação a que pertencem. Assim, por exemplo, Antares é a alfa Scorpius, estrela mais brilhante da constelação Scorpius (Escorpião); El-gul, ou Algol (estrela do demônio) é a beta Perseus, segunda estrela em brilho de Perseus; e gama Geminorum é a terceira estrela em brilho da constelação de Gêmeos. Por outro lado, as estrelas menores de uma constelação são simplesmente numeradas.
Em conseqüência da mudança de sua posição entre as estrelas fixas, o Sol percorre anualmente doze constelações: Áries (Carneiro), Taurus (Touro), Gemini, (Gêmeos), Câncer (Câncer), Leo (Leão), Virgo (Virgem), Libra (Libra), Scorpius (Escorpião), Sagitarius (Sagitário), Capricornius (Capricórnio), Aquarius (Aquário) e Pisces (Peixes). Os seis primeiros signos são do hemisfério boreal, e os seis últimos, do austral. Mais ou menos de trinta em trinta dias o Sol passa por um novo signo, entrando, por exemplo, no signo de Áries na primeira quinzena de abril; e no signo de Touro, um mês mais tarde. Por conseguinte, os três primeiros signos (Carneiro, Touro e Gêmeos) são signos de outono; os três seguintes (Câncer, Leão e Virgem), signos de inverno; Libra, Escorpião e Sagitário, por sua vez são signos de primavera, enquanto Capricórnio, Aquário e Peixes são signos do verão. No hemisfério boreal essas relações se invertem.
Uma constelação só se torna visível quando certos fatores se combinam, entre eles a latitude, as estações do ano e a hora da noite em que é feita a observação. Assim, do hemisfério sul é possível ver, por volta das 21 horas, durante o outono, as constelações de Gêmeos, Léo, Virgo, Bootes e outros As estrelas da constelação de Gêmeos são consideradas estrelas de verão, embora estejam ainda altas no céu no começo do outono. As mais brilhantes dessa constelação são Castor e Polux, enquanto em Léo as mais conhecidas são Regulus e Denebola.
Geralmente, o céu nunca é tão límpido quanto nas noites de inverno, podendo um observador, nessa época, ver estrelas e nebulosas quase sempre invisíveis. Percebe-se, então, que na medida em que Léo vai se colocando mais para o oeste (por volta das nove horas da noite), novas constelações vão ficando mais visíveis a leste. Bootes, por exemplo, aparece nitidamente durante grande parte do inverno, mas as constelações que dominam nessa estação são Scorpius (da qual faz parte Antares, a super-gigante vermelha), Hércules (onde brilha a estrela Vega), Lira e Cignus (onde brilha Deneb). As estrelas das constelações da primavera não são tão brilhantes quanto as de outono e verão, destacando-se, porém, as de Pegasus, Perseus (onde se situa El-gul) e Andrômeda (com a maior e mais brilhante nebulosa espiral, a M31)
As constelações são freqüentemente citadas na mitologia grega. Orion, por exemplo, que é a constelação dominante no céu de verão, era considerado o gigante caçador que se gabava de não poder ser vencido por nenhum animal; Júpiter, então, mandou um escorpião picá-lo no calcanhar, matando-o. Essa lenda diz ainda que Sagitarius saiu à caça do escorpião, e por isso, quando Orion se acha visível no céu, Sagitarius e Scorpion não aparecem. No verão também predominam as constelações de Gemini (Gêmeos) e Taurus (Touro). Esta última, segundo a mitologia, representa a forma que Júpiter tomou para raptar a jovem princesa Europa. Canis Minor e Canis Major (na qual se encontra Sirius, a estrela mais brilhante de todo o céu) são outras duas constelações de verão.
Constelações observadas entre o equador e os pólos são chamadas de circumpolares. Ao sul do trópico de Capricórnio e ao norte do trópico de Câncer, as estrelas próximas ao pólo são sempre visíveis, enquanto as que se situam próximo ao equador têm nascimento e ocaso. Entre as constelações circumpolares do sul acham-se a Crux (Cruzeiro do Sul), Argus (Navio), Volans (a vela do Navio), Carina (quilha do Navio), Centaurus e Tucana. No norte destacam-se Ursa Major, Ursa Minor, Cassiopeia, Cepheus e Draco.
Fonte: Enciclopédia Abril
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FERNANDO KITZINGER DANNEMANN

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